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Desceu sobre mim
esta tristeza
Que tão bem sei,
Mas não ouso,
Explicar.

Desceu sobre mim,
tal como a chuva,
Que acinzenta as
ruas e as desfaz,
Em rajadas de lama e
desânimo
Que passantes
automóveis disparam
Sobre apáticos
transeuntes.

Desceu, como desce o
meu olhar,
Sobre as calçadas
sujas e molhadas,
Os prédios feios e
sem cor,
Desfigurados
fantasmas
De outros tempos.

Desceu, como descem
as lágrimas,
No interior de mim,
Por caminhos
tortuosos, ínvios,
Longos, profundos,
Que desaguam no
coração.

Que bem saberia eu
explicar esta tristeza
Se o quisesse, se o
desejasse,
Até desenhava um
mapa,
À escala, com
legendas coloridas
E precisas.

Mas explicar não
vale de nada,
Não impede esta
tristeza
De descer sobre mim,
E sobre o
Mundo
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Ilona Bastos
Lisboa, Março
de 2005
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Poema: Ilona Bastos
http://geocities.yahoo.com.br/ibbaptista/
Fotografia:
Daniel Ortega, Fountain in Lisbon
http://www.trekearth.com/gallery/Europe/Portugal/photo16159.htm
Som
de Fundo: Chopin, 12 Estudes, Opus 25, nº 1
Animação:
http://www.ilona,com.br/
©
2005 - Todos
os direitos reservados
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