
Onde
se esconde, em mim,
Esta
semente que germina
Ao
chegar da Primavera?

Será
no coração pesaroso
Que
o Inverno deixa mouco,
Mas
com a Primavera remoça
E
canta, e esperto reconhece
Em
redor, o amor,
A
vida, a felicidade?

Será
no cérebro cansado,
Que
o Inverno torna vago,
Mas
que a Primavera espevita
Encanta,
afaga, e inspira,
De
ideias fervilhante,
Cintilante,
criador?

Será
no olhar embaciado,
Que
de cores se enche, louco?
No
olfato inebriado
pelo
aroma das flores?
Nos
ouvidos doloridos,
Que
na música se perdem?

Ou
na pele
que,
brilhante, resplandece?
Ou
na língua,
que
em paladares mil se deleita?

Onde,
onde se esconde
Esta
semente que agora floresce
E
me inunda de Primavera?

Ilona
Bastos
Lisboa,
22 de Março de 2005
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