Houve um tempo
em que o tempo não tinha fim.
Percorriam-no
jogos, corridas e risos pelo jardim,
Ou as rodas de
uma dança de criança, de um triciclo,
Um ciclo de
fitas animadas, livros de contos de fadas,
Baladas,
romances de príncipes e princesas encantadas
Houve um tempo
de inocência, em que a aventura
Sorria,
espreitando, em cada esquina, e era ventura
As pistas
descobrir, e do mistério desvendar a solução,
Na convicção
de quem é vencedor na luta pelo bem
E tem, em si, a
ambição de ser gigante - ser alguém!
Houve um tempo
de sonhos como botões de rosa,
A florescer no
desfiar dos pensamentos de uma prosa,
A gentilmente se
expandir em pétalas coloridas, delicadas,
Perfumadas de
magia, de um aroma que embriaga, inebria
E nos guia, tal
brisa suave, pelos caminhos da poesia.
Houve um tempo
em que o futuro se desenhava luminoso,
Longínquo, belo
horizonte pleno de esperança, grandioso,
E que os passos,
alegres, decididos, cheios de felicidade,
Pela cidade me
levavam, corajosos, e seguros revelavam,
Antecipavam
carinhosos, o amor imenso que buscavam
Houve um
tempo em que o presente era também
futuro,
Em que, vivendo
a dois tempos, lançava meu olhar puro,
E dali mesmo
antevia, leda visão do porvir, o que seria,
Viveria, a
sorrir, o amor e a grandeza, que ainda ouso atrair,
Ouvir promessas
de então, que o coração quer cumprir.
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Lisboa, 8 de
Julho de 2006
.Próximo Poema
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Sugestão de leitura: Ciranda
"Em Algum Lugar do Passado"