Atrapalho-me
nas malhas do tempo.
Quanto mais tento detê-lo,
Mais me
prende o tempo a mim,
Na lentidão
que aos meus gestos dá,
Na confusão
que ao pensamento doa.
.
E, assim,
tropeço nas horas e nos minutos,
Enquanto o
tempo, trocista, sorri,
Célere
avança e se afasta, jocoso,
Acenando de
longe, provocador,
Sempre
seguindo o seu caminho.
.
Caio em
desespero, olho o relógio,
E os
ponteiros que lestos se aproveitam
Da
distracção do meu escrever,
Para saltar,
ágeis, no mostrador
Da vida
levando, de assentada,
Luminosas
porções de tempo perdido.
.
Hesitante,
paro, num repente,
Sem saber se
dar ouvidos à voz troante
Que no
interior de mim ecoa, persistente
Em
deslizar-me pelo braço, até à mão
Que segura a
caneta e a faz correr
E patinar,
dançando, sobre o papel.
.
Não! Tenho
de sair e seguir o meu percurso,
Mesmo se o
tempo se entretém
A trocar-me
as voltas e a rir, escarninho,
Perante o
torpor dos meus gestos indecisos,
E a
inconstância do meu pensar,
Perdida que
estou nas malhas do tempo.
Lisboa, 2 de Outubro de
2005
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