Súbita,
inesperadamente,
Passo
a linha de fronteira
E
penetro em Outubro,
O
mês sagrado.
.
Ouso
sorrir, agora,
Porque
chegou Outubro.
Posso
largar a bagagem
E
acomodar-me bem,
Porque
voltei a casa.
As
ruas com seus adereços,
De
prédios antigos,
Sinais
luminosos
E
árvores douradas,
Tornam-se
ternas e familiares,
Porque
estamos em Outubro.
.
O
cair da noite refresca-nos
E
convida ao repouso,
Porque
estamos em Outubro.
As
letras, nos livros, os traços,
No
imaculado branco dos cadernos,
Ganham
novo brilho,
Porque
estamos em Outubro.
Os
nossos pensamentos são leves
E a
melancolia carinhosa,
Porque
estamos em Outubro.
.
A
televisão mostra programas
De
uma inteligência envolvente,
Porque
estamos em Outubro.
As
montras das lojas, na cidade,
Com
a sua colecção de roupa quente,
Atraem-me
com sonhos e acenos,
Porque
estamos em Outubro.
A
música soa viva, harmoniosa,
Porque
estamos em Outubro,
E o
vento sopra confidências.
.
Porque
estamos em Outubro,
O
castanho e o verde da Natureza
Acariciam-nos
o olhar.
Porque
estamos em Outubro,
A
chuva, quando vier, se vier,
Será
festiva e doce.
Porque
estamos em Outubro,
A
calçada estenderá, diante de mim,
Um
espantoso tapete de folhas
Em
todos os tons de amarelo,
De
vermelho, de dourado,
E
convidar-me-á a sair,
A
avançar, a criar, a viver
.
Só
porque estamos em Outubro!
Lisboa,
1 de Outubro de 2005
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