Desceu
sobre mim esta tristeza
Que tão
bem sei,
Mas não
ouso,
Explicar.
.
Desceu
sobre mim, tal como a chuva,
Que
acinzenta as ruas e as desfaz,
Em
rajadas de lama e desânimo
Que
passantes automóveis disparam
Sobre
apáticos transeuntes.
.
Desceu,
como desce o meu olhar,
Sobre as
calçadas sujas e molhadas,
Os
prédios feios e sem cor,
Desfigurados
fantasmas
De
outros tempos.
.
Desceu,
como descem as lágrimas,
No
interior de mim,
Por
caminhos tortuosos, ínvios,
Longos,
profundos,
Que
desaguam no coração.
.
Que bem
saberia eu explicar esta tristeza
Se o
quisesse, se o desejasse,
Até
desenhava um mapa,
À
escala, com legendas coloridas
E
precisas.
.
Mas
explicar não vale de nada,
Não
impede esta tristeza
De
descer sobre mim,
E sobre
o Mundo
.
Lisboa,
Março de 2005
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