Nestes dias
frios e ensolarados,
Ruas e rossios de Inverno
pintados,
Enchem-se esplanadas de
quentes roupagens,
Sempre renovadas antigas
imagens.
.
Como em tempos idos, há
cabeças brancas,
Senhoras idosas de gestos
pausados,
Há conversas longas e faces
atentas,
Até mantas grossas de lã
aos quadrados,
Que lembram convés,
cadeiras de lona,
Balanço do mar que em sonho
retorna.
.
Como antigamente, há lindos
meninos,
Belos caracóis, passos
pequeninos.
Há bolas e carros, e o cão
a ladrar.
Torradas no prato, leite a
fumegar,
E água a luzir, fresca,
transparente,
No centro da mesa, estrela
refulgente.
.
Há os cavalheiros, tal como
era dantes,
Lendo os seus jornais com
toda a atenção.
De lápis na mão, jovens
estudantes
Livros sublinham com
sofreguidão.
Sábias teorias têm de
estudar,
Para um dia o Mundo poderem
salvar.
.
Neste dia frio, mas
ensolarado,
Rua e rossio olho com
agrado.
Vejo, de repente, parando a
sorrir,
Passado e Presente, Futuro a
florir.
.
.
Lisboa,
27 de Janeiro de 2005
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