| Quando voltará o tempo a estender-se a nossos pés
como uma planície
verdejante?
.
Que saudades das tardes
imensas,
infinitas, em que
brincávamos,
corríamos, descansávamos
e líamos, horas a fio,
esses romances que nos
enchiam a alma
e que em nós se tornaram!
.
Durmo demais ou de menos?
Sou lenta ou, antes,
apressada em demasia?
Manhãs e tardes esfumam-se
na voragem do
dia-a-dia
.
Nervosamente antecipo o
pôr-do-sol,
enquanto percorro este
labirinto
feito de momentos
compartimentados,
intercalados por corredores
apinhados de ânsias e
temores,
que são o meu tempo de
hoje.
.
Sonho com o regresso do
tempo infindo,
em que o corpo voltará a
correr livre,
como criança, e o
espírito, ousado,
voará mais alto do que
nunca!
.
Tanto desejo esse tempo!
Tanto planeio criar
nessa planície verdejante!
.
Caiam paredes!
Dilate-se o espaço!
Germinem sementes!
Estenda-se a nossos pés
a imensidão do tempo!
.
Lisboa,
15 de Dezembro de 2004
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