| É explicável o motivo por
que ergo muralhas. Se o não fizer, tomam-me a
alma de assalto,
Sugam-me a essência, o
espírito, a energia.
Levam-me tudo, deixam-me de
casa vazia,
Sem que a ofensa eu consiga
reparar.
.
Há-os, certamente, os
salteadores de almas,
Que se comprazem em saquear
emoções alheias.
Temo-os mais que tudo,
adivinho-os de longe,
Identifico-os e deles fujo,
em retirada,
A abrigar-me em segurança
no meu forte.
.
Bem me protegi do mundo,
saibam bem.
Extremosamente cuido das
minhas muralhas,
Cujas frestas tapei, portas
murei, janelas emparedei.
Inexpugnáveis, não deixam
passar vivalma,
As altas muralhas de que me
cerquei.
.
Não passa nada, Senhor, que
nisso eu me empenhei.
Nem assaltantes de fora, nem
ameaças soturnas,
E nem mesmo a criatura, tão
triste, em que me tornei
.
.
Lisboa,
14 de Novembro de 2004
.
|