Não há que
temer a Poesia,
Nem estas
ideias bizarras
Que em
certas horas me assaltam.
.
Vivo e raciocino por
tentativas,
Aproximações e
intuições.
.
Pensamentos
fugazes,
Velozes,
acutilantes,
Perpassam-me
a mente,
De rompante,
e logo
Seguem seus
caminhos.
.
Lanço-me
atrás deles, correndo,
Alcanço-os,
por vezes, detenho-os,
Interrogo-os,
fotografo-os, de frente,
De perfil,
de um lado e do outro,
Curiosa,
inquisitiva, sem sorrir.
.
Anoto,
atenta, o que revelam,
Alvitro,
sugiro, proponho,
Componho o
texto e exponho-o
Neste
caderno invulgar.
.
Largo-as,
depois, às ideias,
Que
dispersam livremente.
.
E o que
sinto é ser tão leve,
Neste
alívio imparável de criar,
Que levanto,
brilhante, o meu olhar
Na procura
do poema que se segue.
.
.
Lisboa,
2 de Dezembro de 2004
.
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