Podia cantar a tua
fidelidade
Ou a atenção inexcedível
do teu olhar castanho
Quando me fitas, tão
próximo e intenso.
.
Podia dizer da doçura do
teu afago
Quando me encontras a dormir
e me beijas
Até que acorde e contigo
passeie
Pelas ruas ensolaradas da
cidade,
Ou do calor do teu corpo
quando te aninhas
Junto a mim e às almofadas
no sofá da sala.
.
Podia gabar-te o porte
atlético e sadio,
Os saltos magníficos e as
potentes corridas
Que dás, possuído de
energia ilimitada.
.
Podia concentrar-me apenas
na viva inteligência,
Na alegria expressiva que
todo te movimenta
Em encantadora, louca
agitação.
.
Podia exaltar os teus dotes
de caçador,
De explorador incansável ou
detective,
De atento seguidor de uma
pista.
.
Podia simplesmente referir a
tua paciência
Quando me esperas e ficas
deitado,
Entre o blasé e o calado,
Meio a dormir, meio
acordado.
.
Mas não! Hoje só quero
falar da tua beleza, cão!
Do teu pêlo dourado batido
pelo sol e pelo vento
Luzindo em nuances várias,
cheias de vida,
Enquanto corres feliz, de
focinho erguido,
Orelhas voando, cauda
abanando sem cessar,
Ou quando te deténs junto
à folhas,
Também douradas, do Outono,
E delicadamente aspiras,
nariz brilhante no ar,
O luminoso odor desta jovem
manhã que nos recebe.