Num poema, é o galo que canta e
acorda o sol;
Noutro, é o olhar que salta da
janela e alcança a paisagem,
Noutro, ainda, é o mundo
inteiro contido numa poça de chuva
.
Que absurdo! Que ilógico! Que
irreal!
.
E, no entanto, prefiro a poesia.
Prefiro o absurdo ao prosaico,
o ilógico ao coerente,
o irreal a esta ficção
horrível
que nos fornecem e a que chamam
realidade
.
Não podemos ter a certeza do
que seja a realidade,
mas intuímos o irreal a mil
léguas.
Portanto, de real temos somente
o irreal,
temos somente a poesia, temos o
avesso do mundo,
que é afinal o único mundo que
temos!
.
.
Lisboa,
1 de Novembro de 2004