| Percorro as
linhas do meu texto Como o jardineiro se passeia
Entre os canteiros do seu
jardim.
.
Trato as palavras como se
fossem flores.
Se estão murchas, dou-lhes
sentido,
Arranco-as sem dó, se são
daninhas,
Semeio virgulas com
inglória hesitação,
Enterro pontos e vírgulas,
pontos finais,
Como estacas a amparar
trepadeiras
Orações em crescente
entusiasmo,
.
Caminho serena, ou correndo,
vezes inúmeras,
Apreciando o efeito, a cor,
a luz, a conclusão.
Volto insistente, buscando
gralhas, que as sinto lá
E encontro-as, matreiras,
palradoras, bicos em riste
Xô! Fora daqui! Sou
espantalho assustador!
.
O texto é o meu jardim, meu
verde campo,
Minhas palavras são minhas
dilectas flores.
.
Lisboa, 14 de Outubro de
2004
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