Se as lágrimas fossem
palavras,
Sobre esta página branca
Estaria escrito um poema
pungente,
Testemunho de pesar por
todos os que pereceram
Na escola de Beslan, na
Ossétia do Norte.
Aqui estaria estampado um
retrato vivo
Do sofrimento das crianças
russas de olhar puro,
A imagem das suas mães e
avós, chorosas,
Com o coração sangrando,
desfeito de dor,
E dos pais, abatidos pelo
desespero,
Carregando nos seus braços
os filhos feridos.
.
Se as lágrimas tivessem
poder,
Sobre esta folha outra
surgiria,
E nela estaria inscrita uma
lei imperativa,
Absoluta e inviolável,
porque física,
(criação de Deus e não
dos homens)
Nos termos da qual nunca,
Mas nunca mais, as
crianças sofreriam,
Nunca mais sobre elas o mal
se abateria,
Fosse sob que forma fosse,
E que assim estabeleceria:
.
Não mais as armas
dispararão,
Quando o objecto em mira
for uma criança.
.
Não mais as balas
atingirão o alvo,
Quando este for ou puder
ser uma criança.
.
Não mais as bombas
explodirão,
Quando no seu raio de
acção se achar uma criança.
.
Não mais um objecto
contundente ferirá,
Quando utilizado sobre uma
criança.
.
Não mais um ser humano
pensará actuar,
Ou actuará, com
violência, sobre uma criança.
.
Mais determina esta lei
que o mesmo regime seja
aplicável
Aos familiares (assim sendo
considerados
todos em linha recta,
E até ao centésimo grau
da linha colateral),
professores, amigos e
vizinhos
De uma criança.
.
Esta lei entra
imediatamente em vigor!