| É o clamor difuso das
folhas das árvores É a verdura que emoldura as
pedras da calçada
É o voar dos toldos brancos
na tenda do jardim
É o céu em tons de
cinzento que súbito chora
É o aroma silvestre da
terra e da relva molhada
É o vento que empurra
gabardinas e guarda-chuvas
É o assobio que entra pelas
frinchas das janelas
É a corrida das gotas de
água no pára-brisas
É o aguaceiro que pára,
espantado, e sorri
É o reflexo agitado dos
ramos nas poças de chuva
É o fumo das castanhas
assadas à saída do cinema
É a nuvem dourada das
folhas varridas e amontoadas
É o florir inocente das
violetas no vaso da minha sala.
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Lisboa, 20 de Outubro de 2004
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